domingo, 15 de abril de 2018

Perdendo o Rumo

A expressão "perder o rumo" nunca esteve tão evidente.
E quem perdeu o rumo foi a direita.
Eles não imaginavam nunca que com a prisão de Lula algumas coisas pudessem acontecer tão rápido.
Primeiro - A união da esquerda brasileira.
Desunida por conta de discordâncias e de um descompasso havido nos períodos de governo do PT e PCdoB, boa parte do resto da esquerda composta por partidos como PCB, PSOL e PCO, além de alguns movimentos sociais, estavam distantes até agora.  No entanto, cientes de seu compromisso histórico e da responsabilidade para com a classe trabalhadora, entenderam o momento e colocaram num armário suas divergências, saindo em coro para pedir Lula Livre, apuração vigorosa do crime que levou a vereadora Marielle Franco do PSOL e  empunhando outras bandeiras.
Segundo - A ressonância.
Clamando pela volta de democracia, essa gente toda acusa a imprensa, a justiça e interesses estrangeiros de estarem gerindo esta segunda etapa do Golpe. Seu clamor tem sido ouvido por todo o mundo onde é replicado por movimentos e pela imprensa internacional.  Simpatizantes e humanistas de todo o Globo Terrestre sabem agora, às claras, o que está se passando no Brasil.
Terceiro - Perseverança e Fidelidade.
Presentes em vigília permanente, militantes tomaram conta das imediações onde Lula está preso na capital paranaense.  Angariam volume a cada novo dia e uma organização medonha lhes garante a continuidade com coletas que lhes permitem o sustento e manutenção dos acampamentos por um longo tempo.  Até alguns munícipes estão se oferecendo para ajudar, abrindo suas portas numa acolhida inacreditável.  Caravanas são organizadas para se sucederem continuamente permitindo um revezamento que não canse quem se coloca a executar esta tarefa, demonstrando que "a coisa vai longe".
Quarto - Desnudar das Farsas.
Em paralelo a tudo isso, fomenta-se diariamente a esperança de alcançar os ouvidos daqueles cuja mídia formal afasta da verdade, divulgando apenas um lado de toda esta situação.  Farto material aparecem nas redes sociais, publicações e discursos em vários pontos do país levantam a lebre de crimes cometidos sem punição por parte daqueles que condenaram Lula.  A tese da "limpeza" e do combate á corrupção se desmancha.  Em capitais e outras cidades, o Movimento pela Libertação de Lula é crescente e organizado, atraindo novos simpatizantes. Intelectuais misturam-se a população de rua, artistas populares e povo, exaltando a perseguição da qual é vítima o ex-presidente.
Portanto já não é mais questão apenas de Lula Livre e as direções partidárias estão ocupando o segundo plano nas decisões desta ação coordenada pela militância e pelo povo que se uniu para combater este vilipêndio à democracia brasileira.
Os próximos dias serão decisivos e o mundo segue vigilante ao que acontece nos porões da Lava Jato, no universo sub reptício da impunidade tucana e na análise das ferramentas legais que ainda podem ser alçadas para se fazer justiça.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Escola sem (partido) sentido.

Cheguei há pouco da Câmara Municipal de minha cidade.
Não posso me dizer decepcionado.  Conhecedor dos edis que a compõem me surpreenderia se o resultado fosse outro.
Depois de proporem e votarem favoravelmente ao absurdo projeto "escola sem partido", hoje foi dia de derrubarem o veto do prefeito a esta comprovada síntese da intolerância e visão turva.  Sem falar na inconstitucionalidade que representa este assunto ser discutido nos legislativos municipais.
Com a desculpa deslavada de que a escola faz a doutrinação das crianças, implantam, de um modo inacreditável, em algumas pessoas, a ideia de que o "negócio é bom".  O projeto é em favor das famílias.  Faça-me um favor.
Será que esta "gente de bem" está preocupada com a doutrinação dos filhos 24 horas por dia na internet à disposição com tudo o que há de bom e ruim?  Entendem que a TV aberta tem doutrinado a cabeça de milhões de pessoas gerações a fio? Aliás estamos pagando altíssimo preço por isso. Sim, pois se a discussão for doutrinação, vamos entender o que é doutrinação e ser coerentes naquilo que defendemos.
Mas não é isso não.  O caso é outro.  Como outra tem sido toda a questão defendida por moralistas e direitistas.
Alguém enfiou na cachola dos "defensores" desta causa que as escolas fazem a cabeça das crianças contra a religiosidade, em favor da homossexualidade, do partidarismo político e ideológico e sei lá mais o que.  Parece até que gostavam do tempo em que o governo militar imprimia nossas cartilhas a ensinar coisas como o "descobrimento", o heroísmo de Caxias etc.
Ao invés de estarem preocupados com a situação e qualidade do ensino, se a escola oferece boas acomodações, segurança e conforto adequado, merenda balanceada (sem desvios) e condições de higiene, lazer, integração, materiais e uniformes, estão preocupados que seus filhos sejam "manipulados".  Acreditem.  Esta molecada tem cabeça muito melhor que destes adultos.  Tenho certeza.  Até por isso os "idealizadores" do projeto o querem vigorando.  As novas gerações estão ficando espertas demais.  Já já os mandatários hão de perder o controle sobre as massas.  Já pensou?
Professor que não se cuide, isso sim.  Além de ganhar mal a vida inteira, apanhar nas praças a mando de governadores vigaristas, ser maltratado em sala de aula, ter que se arrebentar para conquistar a atenção dos alunos em classes cada vez mais ultrapassadas, agora se falarem qualquer coisa que alguém entenda ser "doutrinação" estarão fadados a processos.  E quem vai julgar o que é doutrinação? 
Tenha a santa paciência ter que ver isto em pleno século XXI. 
Enquanto o tempo avança, a mentalidade de alguns brasileiros retrocede a passos largos e com ela, de algum modo, nossas vidas.
Bom pra quem gosta de roupa e música de época.  Já estamos beirando ao século XVII.
Enquanto isso igrejas doutrinam fiéis todos os dias da semana.  E quando não o fazem nos salões espalhados por todos os bairros das cidades, o fazem livremente em canais de televisão próprios ou alugados com ótimas produções.  A mídia decide o que assistiremos nos noticiários e que tipo de música devemos gostar.  Qual o melhor cantor, ator, autor do ano.  Que roupas são mais adequadas e que marca de achocolatado é melhor.
Não querem escola sem partido.  Querem escola sem sentido.  Isso sim.



sábado, 7 de abril de 2018

De que lado você está?

Eu não sei se faz muito tempo ou se já existiu ao longo da história brasileira uma liderança tão forte e tão querida por tanta gente como a de Lula.  Você pode até não gostar dele, mas não dá pra negar isso, né?
Sua eleição e posse já demonstravam esse grande apoio popular que começou na década de 70, nas suas primeiras lutas como sindicalista e depois, fundador de um partido de massas.
Mais tarde, sua reeleição, a eleição de sua substituta (meio que desconhecida por muitos) e a consequente reeleição de Dilma só fizeram confirmar o apreço das pessoas pela figura de Luiz Inácio da Silva.  Um fenômeno a ser amplamente discutido.
Mas agora, de uma maneira espantosa, nordestinos, nortistas, sulistas e gente do sudeste, centro oeste e até de fora do Brasil, surpreenderam ao se manifestarem emocionados contra a sua prisão e em prol do seu direito de concorrer às eleições de 2018.
Por toda parte, artistas renomados e anônimos, pobres, remediados e até alguns ricos, do campo e das cidades, cultos e iletrados, jovens e idosos e até crianças, saíram às ruas de todo o país e em horários diversos com palavras de ordem e pasmem, lágrimas nos olhos.
Se você não viu é porque a imprensa formal do Brasil fez questão de não mostrar direito, como aliás é de costume.  Mas aconteceu, viu?  Internet e redes sociais, serviram de testemunhas deste grande movimento em defesa do ex-presidente.
Óbvio, isso não queria dizer que impediriam o andamento da prisão.  Era pura paixão e carinho mesmo.  Esta união, solidariedade e comunhão com a figura pública do ex-sindicalista, não pode passar desapercebida, muito menos ser ignorada por quem quer que seja, simpatizante ou adversário.  E entrará para a história como algo inédito, pois ainda que figuras simpáticas ao povo tenham provocado certa comoção no passado, nada se compara ao que estamos vendo.
Afinal, somos um país sedento de heróis e líderes. E quando alguém aparece para cumprir este papel, tirá-lo do coração das pessoas, não é simples.
Mas claro... Não seria e não é mesmo palatável a todos a figura do metalúrgico que virou presidente.  Ninguém jamais foi unanimidade em parte alguma.  Esse milagre, ninguém ainda conseguiu.  Muito menos um homem feio, baixo, gordo, nordestino, sem formação acadêmica, com voz grave e rouca. Seu estereótipo sempre mexeu com a fúria de racistas, preconceituosos e "pomposos", que lhe viam numa imagem nada admirável de bate-pronto.
Só a convivência e sua retórica eram capazes de mudar opiniões assim.
Por outro lado, com facilidade, tornou-se o "representante" dos irmãos latino-americanos perante o mundo.  Sua inspiradora paixão pelo Brasil, levou-o a ser respeitado por reis, presidentes e líderes mundiais.  A tal ponto que o presidente da potência americana declarou de público: Este é o cara!
Para alguns poucos brasileiros, no entanto, uma piadinha aqui e ali, sempre produzidas com muito mal gosto, tentavam fazer emplacar o ranço elitista puxando os bordões do cachaceiro, analfabeto, grotesco que Lula nunca foi.
Talvez pudéssemos entender se tratar da confirmação da máxima cristã de que um profeta não faz milagres em sua própria casa.  Pois mesmo aqui, sempre houve uma boa divisão entre os prós e contras.  Bastava um deslize, uma foto com boné, lambuzado de graxa ou rindo muito para que a má imprensa tripudiasse apresentando-o como uma figura risível.
Sabe, eu também tenho críticas pesadas a Lula e ao seu governo.  Tenho críticas ao governo Dilma e ao próprio PT.  Tenho críticas aos seus principais aliados.
É que avalio que faltaram ações fundamentais para a ascensão da classe trabalhadora, para a libertação definitiva dos subservientes e inclusive, faltou o principal: a verdadeira distribuição de renda tão sonhada e propagada pelos idealizadores do projeto (povo no poder).
Não deu pra fazer tudo.  E como tantos outros esquerdistas me é complicado aceitar.
Culpa da política de coalizão que Lula abraçou e que é de difícil sustentação e justamente por isso, muita coisa não progrediu.  Muitos e dissonantes interesses foram envolvidos numa salada de siglas e caciques, que se aglomeraram à órbita do poder, arrebentando depois em mensalão e no final, configurando-se no balcão de negócios no qual se caracterizam as repúblicas em geral mundo afora.
Uma decepção pra muitos que acreditavam que com a chegada do PT no comando da nação, isso não aconteceria mais.  Ledo engano.  Só que eu acho que o governo não teria durado tanto e nem as pequenas conquistas teriam sido alcançadas se fosse diferente.
Mesmo assim considero que nunca tivemos, ao longo dos quinhentos e poucos anos da história desta nação, um governo tão importante.
Inclusivos, os anos de Lula e Dilma no comando promoveram o resgate de dívidas sociais seculares.  Negros e pobres, mulheres e trabalhadores de toda sorte, foram anexados às prioridades programáticas.  A tradicional dependência, de sertanejos e nordestinos, dos favores de coronéis e oligarcas diminuiu de forma indiscutível.  O Nordeste renasceu e se desenvolveu como nunca.  Os campos ferveram em produção agrícola.  Foram enfrentados problemas tidos por insolúveis, como a seca e escassez de alimentos.
No geral, programas como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, ProUni, Luz para Todos, Brasil Alfabetizado, Enem e tantos outros, tiravam da linha de risco milhões de famílias ano após ano.
Claro.  Sempre aparecia um imbecil para afirmar que "seu dinheiro" estava servindo de esmola para pobres.  Mas este bobão nunca percebeu que ao dar dignidade e sobrevida a população mais carente, até seu pequeno negócio era fortalecido pelo consumo de pessoas antes excluídas da vida econômica.  Além disso, manter-se em cadastros destes programas exigia das pessoas atitudes de contrapartida como manutenção dos filhos na escola, carteira de vacinação atualizada e outras providencias que resultaram na redução de endemias, mortalidade e analfabetismo, dentre outros males.
Minoração ou campanhas de redução de impostos, ainda que passageiras, em alguns setores, aumentaram o poder de compra.  Vendeu-se mais carros, eletrodomésticos, viagens e outros bens de consumo, fazendo girar a roda da economia, que permitiu suportarmos a crise que assolou os Estados Unidos e Europa nos final da primeira década deste século.
Pessoas que jamais imaginaram tiveram acesso a faculdades, aviões, restaurantes e cabeleireiros.
E daria para enumerar muita coisa boa em uma lista que vai do um PIB em gráfico crescente ao desemprego decrescendo a cada mês.  Nossa saída do mapa da fome nas estatísticas globais e o fim da dívida de anos com o FMI.  Cofres abarrotados com nossas reservas transbordando.
Nada disso afirmo por conta própria ou devaneio.  Todos os números são facilmente comprováveis nos órgãos competentes.  Para quem quiser é só clicar e confirmar.
Só que se coisas boas aconteceram, tantas ruins também fizeram parte deste álbum de fotografias.  E essas imagens destorcidas custaram caro.  Foram a alavanca de que os inimigos precisavam.
Esquemas antigos de corrupção se mantiveram nas entranhas do poder e dentre os protagonistas do governo, pessoas de extremo mal caráter se aproveitaram do "melado", se lambuzando até as golas.  Coisa feia e digna de punição exemplar.  Traidores da pátria, do próprio governo e dos partidos a que pertenciam.
O que ninguém pode determinar é se tudo isso tinha ou não o conhecimento dos chefes do governo.  Mas o fato é que, contra Lula e Dilma, pouco ou quase nada se pode afirmar.  No caso do próprio Lula, por exemplo, uma única condenação lhe caiu.  Foi de ter "ganhado" um apartamento no litoral de São Paulo como pagamento de propina.  Embora não exista escritura, transferência ou chaves que possam comprovar a posse deste tal presente, bastou uma visita ao local com sua esposa e algumas delações de criminosos presos para se garantir sua condenação, um julgamento de velocidade impar e a consumação da prisão em segunda instância, contradizendo preceitos jurídicos incontestes.
Estas ações destacadas nas lentes das TVs e fotógrafos contra Lula descrevem, por sua inconsistência e desigualdade um episódio dissonante de outros tantos em que criminosos foram presos e soltos, não presos ou tiveram seus processos prescritos por falta de andamento.  Alguns desses acusados passaram na cadeia menos de 24 horas, outros foram conduzidos a prisão domiciliar.  Mesmo com extratos bancários, fotos, malas e gravações comprometedoras, muitos nem sequer responderam.
Nenhum petista, no entanto, foi poupado o que levou defensores do partido do ex-presidente e órgãos da imprensa internacional e juristas do mundo todo a defenderem a tese da perseguição.
Afinal, mesmo as ações que caminharam contra outros políticos foram processos nada parecidos com a contundência e gana com que o MP e o juiz do Paraná empregaram contra Lula e seus aliados.
Piores, em grau absurdo, que o tal triplex do Guarujá e as ditas pedaladas de Dilma, acusações graves contra o presidente Temer foram arquivadas pelo Congresso mais de uma vez com holofotes determinando a troca de favores empregada junto a Deputados e Senadores.  Com tudo isso, dá sim pra se pensar em uma justiça seletiva?
Como seletiva parece ser a indignação de alguns patriotas, cuja limpeza moral e ética, não parecem ser a tônica de protestos, pois do contrário, não teriam silenciado um só dia enquanto tais aberrações não fossem duramente punidas.  Mas de repente, todos sumiram silentes.  Bastou tirar Dilma da presidência e acusar Lula.  Seria esse o objetivo de tudo?
Mas e o impeachment?  Se não havia crimes diretos dos governantes, como Dilma perdeu a presidência?
Pois é.  Tudo começou lá, em 2014, quando após os adversários terem usado de tudo (mídia, dinheiro aos borbotões, manifestações estudantis em prol do passe livre nas quais se infiltraram) ainda assim perderam as eleições.  Foi demais pra eles.  Uma vergonha insuportável.
"Vamos sangrar a nação" - bradaram alguns tucanos de nobre plumagem.  "Vamos paralisar o Congresso.  Ninguém governa sem apoio no Congresso", afirmou declaradamente o derrotado Aécio Neves do PSDB.  E assim foi.
Unindo-se ao vice-presidente Temer, que seria o beneficiário imediato de um possível impeachment, estes mal perdedores procuraram "pelo em ovo" e acharam alguns lançamentos fiscais denominados de "pedaladas" que foram suficientes para iniciar um processo.  Um parênteses aqui.  Estranho foi que, misteriosamente, as pedaladas deixaram de ser consideradas crime logo após Dilma ser afastada.
Tudo foi rápido.  Um conhecido corrupto, ocupava o cargo de presidente da Câmara Federal.  Hoje talvez preso e digo talvez, pois não se fala nele e nem o mostram atrás das grades, Cunha acelerou o processo e daí tudo caminhou como numa esteira.
Em que pese haverem já naquela época sinais claros de que interesses estrangeiros rondavam por aqui atrás do nosso Pré-Sal ( grande descoberta do governo Lula), para tomarem de assalto a nação, os artífices do Golpe, em conluio com o substituto da presidenta, num projeto diabólico, obedientes e gananciosos,  teriam facilitado tudo.  Garantiram a dilaceração da imagem da Petrobrás que foi então  desacreditada e barateada para enfim ser entregue a tais poderes ocultos, na troca evidente de ajuda para ascenderem ao comando da nação e porem fim, definitivo, a dinastia petista.
Se você acha isso teoria da conspiração, vale lembrar que tantas vezes a história já mostrou estes enredos, que afirmações do gênero ganham total pertinência.
Isso já é tão batido que até cidadãos do exterior gritavam em matérias e discursos inconformados com a "cegueira" da nação e pedindo para tomarmos cuidado para não reproduzirmos o que os indígenas fizeram com a chegada dos europeus.
Só pra confirmar as provas são várias.  Em pouco tempo no governo, Temer com total apoio, já tentou conceder a Amazônia, o aquífero Guarani está a venda, além de tantas outras riquezas e empresas pertencentes ao povo brasileiro já rifadas a confirmar as suspeitas de então.
Plano bem desenhado.  Só precisaram de legitimidade.  Bons estrategistas agiram.  Grande parte da nossa gente foi inflamada por algo que até agora não sabem o que, mas que sob a embalagem do fim da corrupção, lhes fizeram esquecer, por completo, dos anos brandos da era petista.  Outros, quem sabe por serem ainda jovens, e que não conheceram realidade fora desta era, foram levados a acreditar haver outra melhor.
Com a vaga ainda aberta, segue-se aqui o que é uma tendência mundial.  A extrema-direita desponta num discurso que agrada pelo moralismo, religiosidade e promessas de "faxina", agregando figuras de alguma simpatia popular que lhes dão certo respaldo e eco.  Pronto.
O resto ficou e está por conta das estruturas de apoio capitalista que fazem por si só, a engrenagem girar.  Parte da imprensa, parte do judiciário, do Congresso e de instituições burguesas como FIESP, associações comerciais etc. dão guarida a este discurso, lastreando as ações de combate seletivo e unilateral que culminaram com o fim trágico do cenário de um governo popular.
Reformas trabalhista e outras, que agradam setores salientes da sociedade, poem por terra anos de avanços e conquistas aos trabalhadores, deixando sossegada uma classe média que sequer fora beneficiada, iludida sim pelo seu desconhecimento de classe (pois se acreditam ricos ou a caminho de tal posição).
Num retrocesso sem precedentes, programas foram e estão sendo interrompidos (como se justiça estivesse sendo feita), escolas e universidades são sucateadas ou fechadas, em prol da ignorância ou da comercialização lucrativa do ensino, o que também ocorre, de modo igual, com a saúde pública.
Para alguns que restam lúcidos e estão vendo por trás das cortinas, Lula então poderia ser o antídoto a este declínio.  A esta derrocada da classe trabalhadora e pobre.  Mas dentre os erros dos governos petistas, talvez o maior fora não aproveitar-se enquanto lá para regulamentar a mídia, garantindo que ela realizasse seu trabalho de modo independente do que queriam seus donatários.
Deixando-a agir em paz, permitiu-se sua aplicação na instrumentalização da informação a lá Goebbels.  Como resultado, manipulação total dos corações e mentes.
Do mesmo DNA da propaganda que matava judeus fazendo o povo acreditar na higienização da raça alemã, surgiu a criminalização dos petistas e seus amigos como se fossem os únicos promotores das desgraças da nação.  E a tal medida foi o efeito que o ódio contra estes passou a ser "aceitável", pra não dizer, legítimo e uma nova nomenclatura se criou: petralhas.
Hoje, graças a esta maquinação e discurso constante, tem gente que, ainda que pobre ou pertencente a uma das minorias, comemora com churrasco e fogos de artifício a prisão do seu único representante de verdade até agora na história do país.  Claro, nem todos.
Com altos índices de aprovação e preferência eleitoral, Lula ganharia, brincando no primeiro turno, o que justamente torna imprescindível a seus algozes, seu combate, sua prisão, sua retirada de cena.
E se essa grande articulação consegue mobilizar, dominar e até prender, sem provas, um líder com tal séquito e currículo, o que ela não poderá fazer com pobres mortais, servidores públicos, professores ou pessoas como eu e você que manifestamos posição contrária?  Horrível pensar nisso nessa altura, né?
Pois é.  Prolonguei na reflexão pra tentar obter contrapontos, argumentos que divirjam desta minha defesa para, quem sabe, ser convencido enquanto pratico minha autocrítica sincera.  É pra isso esse instrumento, esse blog. Me ajudar na autocrítica.
Quero aprender a pensar diante de argumentos contrários e fortes.  Quero exercitar a dialética.  E só ouvindo os contrários posso sair da "alienação", de que me acusam oponentes, de sempre achar que estou do lado certo da história.
Será que alguém se habilita?

sábado, 31 de março de 2018

Grupo Seleta e seu Banco de Negócios - BANNEG

O complexo mundo dos negócios muda diariamente e exige de todos os que almejam empreender, visão clara de seus objetivos.  Não basta se jogar no Mercado.  É preciso saber o que falar, o que fazer e como se organizar para garantir aos parceiros que virão, a possibilidade de crescerem e atingirem seus planos.
Aberto desde 2008 na capital paulista o Banneg funcionou, no início, com o nome de CONGEN abrindo portas para investidores que precisavam aumentar suas vendas, ampliar sua gama de produtos e serviços ou mesmo treinar as equipes.
Mais tarde, com o ingresso do principal sócio, Edinilson Lopes, a uma rede de franquias na área de corretagem de seguros, a empresa começou a tomar outros rumos.  Principalmente, passou a servir de trampolim para que aqueles franqueados tivessem, ao seu dispor, uma gama maior de produtos para trabalhar, complementando a já enorme "prateleira" dos seguros com produtos financeiros e afins.
Somente no ano passado, no entanto, o Banneg se tornaria também uma rede de franquias, inovando em conceito o que outros concorrentes vêm oferecendo.
Replicando o suporte e a seriedade da San Martin, o Banneg quer estar com o franqueado do princípio ao fim da sua história, numa relação de cumplicidade absoluta com os resultados a serem atingidos.
Por isso, além de produtos convencionais, oferecidos com talento e competência, a empresa se preocupa com o formato dos treinamentos, a solidificação do negócios amparado por ganhos concretos dos franqueados, mas com reinvestimento permanente nas tecnologias negociais.
Trabalho pra mais de metro e que exige experiência, sangue frio e sobretudo confiabilidade só possível com anos de trabalho.
Testes constantes e mudanças consequentes são característica do Grupo Seleta onde San Martin e Banneg estão inseridos.
O portfólio diversificado e a garantia de fornecedores de peso pe outro fator que não pode passar despercebido por quem deseja investir num negócio aparentemente simples, mas complexo e dinâmico.
Enfim, o Banneg chega para balançar as estruturas de um cenário cada dia mais austero.
No próximo dia 9 de abril, tem início o primeiro treinamento de novos franqueados Banneg que traz cerca de 45 novos investidores e investidores já familiarizados com o "modus operandi" do grupo.  E outra leva de igual tamanho espera pelo 2o treinamento que deverá ocorrer em junho próximo.
Uma nova história de sucesso começa a ser escrita e o desafio é enorme, só não maior que a grande oportunidade que se encerra com o empreendimento.
Sejam bem-vindos franqueados Banneg.  Sucessos especiais.

domingo, 25 de março de 2018

A quem interessa que estejamos em campos opostos?

Temer e tudo o que representa neste momento são fortalecidos
quando a esquerda se divide em questões menores.
Eu admiro as pessoas convictas.
Sempre admirei quem tivesse certezas absolutas sobre qualquer coisa.
Também eu tenho minhas convicções e muitas vezes, não abro mão delas, nem pra ouvir opiniões contrárias.  Tolice na certa.
Afinal agir assim tem lá seus custos.  Por exemplo, o custo de poder estar errado e de, não sendo corrigido, permanecer no erro.
Há inclusive pessoas que são convictas sobre algumas questões bastante complicadas.  Não tem aqueles que acreditam, ainda hoje, piamente, que olhar no espelho após o almoço faz mal? Que comer manga e tomar leite em seguida pode matar?  Pois é.
O ideal, no caso das convicções, seria o debate afim de colocar nossas certezas à prova.  E de preferência, debater com quem tem subsídios para derrubar nossos argumentos ou então afiá-los, quando nós formos capazes de fazer o contrário.
No Brasil há uma estranha tendência de as pessoas acharem que certas convicções só se sustentam em um determinado conjunto de coisas.  Depositam quase tudo no campo da dicotomia.  Direita e esquerda, flamengo e fluminense, masculino e feminino, minorias e maiorias, politizados e despolitizados, certos e errados, petralhas e coxinhas etc.
Não se admitem caminhos, posições complementares.  Sobretudo não se faz uma avaliação holística.
Se falamos de gênero, simplesmente não se admite um terceiro que será logo visto como anomalia e deixamos de discutir pontos fundamentais do tema. E se olharmos para a questão que envolve Flamengo e Fluminense, ou Corinthians e Palmeiras, perceberemos que haveria um nicho enorme para se debater em favor do Esporte.  O futebol e tudo o que o cerca.  Sua evolução, involução, corrupção entre os cartolas, jogadores descompromissados, torcidas e seu comportamento, gestões mal conduzidas dos clubes e como a categoria esportiva na qual ele está inserida pode promover crianças e jovens por toda parte etc.  Tudo desperdiçado se alguém ficar só defendendo seu time.
Na briga entre direita e esquerda não é diferente. Petralhas e coxinhas, politizados e despolitizados há como ampliar o debate se classificarmos de "política" e a partir daí balizarmos todas as questões que a envolvem.  Tem cabimento aqui a discussão das liberdades, das dívidas sociais, da condução econômica do país, da educação e de outros itens como os casos de corrupção que atingem diretamente as populações.  Já pensou que se qualificássemos os debates a esse nível poderíamos mudar tudo?
Se for sempre assim, um debate fértil, sincero, embasado, ampliado, todos nós sairemos ganhando muito. 
Contudo, quando a convicção dá lugar a paixão, já não há como debater.
Não há como fazer um bom debate sobre futebol se um dos debatedores for apaixonado cegamente por seu time.  Ao falarmos de qualquer coisa sobre o esporte, ele transferirá imediatamente para o seu time do coração e poderá se sentir engrandecido ou agredido e o debate se transformará em briga, disputa de ego, nada acrescentando ao esporte.
Espero ter conseguido me fazer entender.  Não sei muito bem como me saio ao colocar algum pensamento no papel (ou computador).  Quase sempre abro espaço para a má interpretação, já que escrever exige muito conhecimento gramatical, ortográfico e mesmo literário, sem falar aprofundamento sobre o assunto a tratar. Eu acho, de verdade, que não tenho numa medida suficiente estes qualificativos para gerar bons textos. Mesmo assim eu arrisco e este preâmbulo que fiz foi para esclarecer a quem possa ler estas linhas, de que nós temos que pensar um pouco mais além em tudo, mas muito mais quando o assunto for política e partidos políticos.  Algo que eu realmente gosto de debater.
Não canso de argumentar que a política é a grande condutora de nossos destinos e é o que garante que eu possa fazer isso ou aquilo, ter acesso a isso ou aquilo. É ela, a tão odiada política que define se vou ter emprego amanhã, ou se meus filhos poderão estudar no ano que vem.
Sobre isso tudo minha opinião sempre foi muito transparente e eu faço questão de deixar claro o que penso. 
Me julgo republicano.  Gosto de lutar ao lado de humanistas.  Sempre estarei perto de pessoas que defendem a liberdade, a minoração da distância entre pobres e ricos, e que busquem garantir boa educação, cultura, bem estar e direitos indiscutíveis inerentes a todas as pessoas, independente de sua condição.
Embora eu já tenha trocado de partidos políticos para sediar minhas lutas, sempre estive ao lado de companheiros e camaradas que carregavam estas bandeiras.  Dentro de mim, o mesmo sangue vermelho e o mesmo coração pulsante, batendo do lado esquerdo do peito. 
E enfrentei, claro, julgamentos e críticas, não de adversários políticos, mas dos companheiros e próximos.  Tenho maturidade para saber que nunca foi pessoal.  Estes críticos defendiam "o partido".
Este é o ponto.  Não nos enganemos.  Os estatutos e programas partidários, embora importantes balizadores, quase sempre estão sujeitos ao pragmatismo e quando não, aos interesses dos burocratas do partido.  Estar em um partido, usar seus símbolos ou cores, por si só, não garantirá a quem quer que seja, a salvaguarda daquilo que ali está grafado e bem escrito. 
Parece óbvio que o correto, ao invés de mudar de partido, seja fazer a disputa internamente no que seria um caminho a ser percorrido por militantes responsáveis.  Mas isso desde que uma briga, ainda maior, não fique à mercê do destino, lá fora.
Evidente que há diferenças gritantes entre estar no PSTU e PSDB.  Mas avaliemos o conjunto.
Primeiro, todos nós que gostamos de acompanhar a política em suas mais diversas formas, já vimos defensores de valores avançados em partidos ditos de direita e reacionários com profundo conservadorismo em partidos de esquerda. Aliás, ser contrário à mudanças, não perceber a necessidade de se alterar rotas e estratégias é sim uma posição conservadora e perigosa para quem milita no campo democrático.  Não condiz.
O partido político deve, ou deveria ser, o instrumento, não a finalidade da luta.  E muitas vezes, estar em outro partido, não anula a história de alguém que sempre esteve coerente com o partido de sua permanência anterior.
Antes da abertura, em 1985, muitos eram os militantes políticos dentro do MDB.  Ao acender das luzes e com a possibilidade de voltarem os registros partidários, boa parte seguiu seu rumo, criando "n" legendas para acomodar seus discursos.  Ressurgiram partidos históricos como PDT, PCB e PCdoB, que embora estivessem funcionando na clandestinidade, tinham seus membros mais atuantes com cadeiras entre os MDBistas.  Essa era uma acomodação necessária, justificada para garantir a luta de algum modo.
Mas veja.  Alguns dos militantes "mais puros" ficaram no seu templo partidário de origem, mesmo clandestinamente, com a velinha acesa mantendo vivo iluminado o altar só que com isso podem ter deixado de contribuir com o processo de abertura que permitiu seu partido voltar a ter espaço.  Não é cruel pensar assim?
Em nome da luta, podemos sim justificar algumas posturas.
Em cidades menores, também não é raro encontrarmos prefeitos do PT que governam ao lado do PSDB e vice-versa, ainda hoje, em coligações incompreensíveis para muitos.  Mesmo sem defender isso, eu fico aqui pensando como estas prefeituras estão sendo conduzidas e se isso não acabou sendo melhor que entregá-las a alguém de rapina, ou a algum "coronel" do sertão.  Talvez seja menos importante, de imediato, que aqueles petistas ou tucanos sejam conhecedores das defesas expressas nos manifestos de seu partido.
Recentemente, sofremos um golpe.  Sim, goste ou não goste, um golpe, versão já aceita até por pessoas que o defenderam no passado como se fosse uma ação democrática.  E o sofremos justamente pela falta desta visão "holística" do que seria a política por parte dos componentes da esquerda.  Enquanto no contexto imposto à opinião pública estava a polarização entre petralhas e coxinhas, ou partidários de Dilma e Aécio, dentro do campo da esquerda havia, pra complicar, a polarização entre PT e o resto da esquerda.  O primeiro o grande traidor e todos os demais, isentos de qualquer responsabilidade histórica.  Pronto.  Perdemos todos nós.
Com a saída de Dilma, a defesa de nossos postulados foi alijada, e bandeiras de cor semelhante, mas com símbolos diferentes, estiveram em posições opostas da batalha.  Lamentável e fatal para os parcos direitos conquistados pelos governos de Lula e Dilma, hoje jogados por terra, num prejuízo sem tamanho para toda a classe trabalhadora que deveria ser defendida pelos partidos que a representam.
Agora, um segundo golpe está em curso com a criminalização de Lula e seu afastamento do processo eleitoral, justamente para impedir a possível retomada.  E de novo, ao que me parece, petistas acreditam não precisar dos demais companheiros de cor avermelhada, enquanto camaradas defendem não precisar de Lula e sua popularidade para reerguer a classe trabalhadora, alçando-a novamente à frente das decisões.  Já não vimos este filme?
Visão turva, na minha opinião, de quem apenas faz da política um Fla x Flu, sem maiores consequências ou avaliações. 
Pensam como se estrelas, martelos, engrenagens fossem superiores ao ser humano que estes símbolos prometem representar.  Partidários da esquerda discutem ainda o flerte de seus membros no período de troca partidária, quando deveriam estar preocupados sim com algum projeto de união, de mescla, destas "esquerdas" todas.
Esse apego perigoso por um boton, não é tão diferente do apego à suástica, à estrela de David, à cruz ou a qualquer outro símbolo.  Estes brasões quando não empregados na amplitude de seus objetivos, distanciam e separam, enfraquecem e desviam do rumo ao invés de fortalecer, incluir, abranger e transformar.
Tenho visto isso de perto ao tentar unificar um pequeno grupo para debates em minha cidade.
Vivemos em uma área do Estado de São Paulo de pensamento predominantemente reacionário.  Portanto, chamar a todos os ditos de esquerda para um bate-papo, me parecia urgente.  Até tentei.
Mas há um claro confronto entre membros de partidos diferentes que se cobram, uns dos outros, por aquilo que estamos sofrendo hoje. Exigem uma coerência com a "grande questão", mas não abandonam sua "pequena questão" em prol dessa unidade. Objetivamente, o que fazem com essa desunião é dar guarida para que o campo adversário, sempre unido pelo menos em algumas questões, ocupe todos os espaços.  Não entendo, não aceito e não perdoo. É deste comportamento que nascem movimentos fascistoides capazes de grande destruição de consciências.
Imagine se houvesse uma grande assembléia em que representantes do PT, PSTU, PSOL, PCB, PCO, PCdoB e até PDT pudessem estar juntos, deixando seus bonés em casa, mas dispostos a um programa geral.  Que seus membros se confundissem no mesmo discurso e que todos, unidos aos movimentos sociais, resolvessem caminhar numa mesma direção. Podiam ter lutas pontuais como agregador, como exemplo, a defesa do direito de Lula concorrer.  Abraçando-o e o conduzindo ao Planalto para depois evitar que oportunistas de sempre se apoderem do mandato, ou de parte dele que seja, afim de promovermos as grandes conquistas que ficaram faltando para a classe trabalhadora. Seria ótimo, portanto, que ao invés de se agredir, estes companheiros e camaradas pudessem caminhar em uníssono.
Só que não, como dizem os meus filhos adolescentes.  Se alguém de um destes partidos resolve promover uma conversa destas é logo visto com desconfiança.
Se alguém do PT decide migrar para outro destes partidos, será logo chamado de oportunista já o partido parece, mas só parece, estar se dissolvendo.  Será visto como "traidor".  E se algo semelhante acontece a alguém do PCB que se filia ao PT, será igualmente tratado por traidor, pragmático, político de profissão e assim vai.  Falta-lhes, a todos estes, camaradas e companheiros, visão holística.
Deixam suas paixões se sobreporem ao próprio sonho, à própria causa.
Repito, Partido é instrumento e não finalidade da luta.
Estou assistindo, agora mesmo, ao julgamento de um companheiro que tenta empreender uma nova caminhada, refrigerado talvez por um pouco mais de fôlego e longe do estrangulamento provocado por burocratas de seu partido.  Vi com clareza então que a esquerda pode, às vezes, ser tão cruel quanto a direita.
Não se pode rasgar a história de alguém porque trocou de camisa, desde que sua luta continue a ser ou se manifeste como a luta por aquilo que coerentemente sempre defendeu.  Muito mais, não se pode chamar de oportunista quem troca um lugar "aparentemente" confortável de apreço e aliados, por outro onde tudo isso ainda precisará ser conquistado, sem questionar os motivos que o levaram a esta decisão.
Me diga, que diferença faz brigar aqui ou ali pelo mesmo resultado?
Se voltarmos ao dicotomismo, a análise ficará totalmente comprometida.
Não se trata de certo ou errado, bonito ou feio, ideal ou interesse.  Dá como estar num contexto mais ampliado.
Usando a religião por analogia, não nos parece horrível quando evangélicos extremistas invadem um terreiro a destruir-lhes os símbolos sagrados unicamente pela intolerância? E como podemos classificar quando muitos de nós tem afirmado que todo pastor explora seus fieis, ou que todo evangélico é alienado?  Há por certo, evangélicos e umbandistas com interesses comuns, simplesmente os de propagar, cada um ao seu modo, a paz, a fraternidade e o amor.  E se duvidar, andam juntos, dividindo os mesmos fiéis ou instrumentos musicais.
Não devemos, enfim confundir "campo" com "partido".  Deixemos que aqueles que não têm consciência política façam isso.  A nós cumpre não perder os sentidos, neste momento de nossa história.  Campo político é uma coisa.  Partido é outra.
Se não enxergarmos assim e não ampliarmos nosso raio de visão, corremos o sério risco de vermos derrotados todos os nossos anseios, pois como profetizava Cristo, já que apontei religiosidade aqui, "reino dividido não prosperará".



domingo, 4 de março de 2018

Texto de Veríssimo - Os vícios e a letra "C"

Não sei se o autor autoriza eu usar seu texto, mas vou citar a fonte.
Seus textos são tão convidativos à leitura e promotores de reflexão, que não posso abrir mão de ter, pelo menos um, aqui no blog.

De: - LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO
TUDO QUE VICIA COMEÇA COM C

 "Tudo que vicia começa com C. Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios. Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C! De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê. Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê. Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também - adivinha - começa com a letra c. Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein? E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana. Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada "créeeeeeu". Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade... cinco. Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o "ato sexual", e este é denominado coito. Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura..."

domingo, 25 de fevereiro de 2018

O sonho com dona Amor


Eu quase nunca, para não dizer nunca, conto essa história para alguém.  É porque ela soa tão incrível que fico com medo de as pessoas pensarem ser inverdade.  Uma dessas invenções que as famílias contam.
Eu nem sei se estou autorizado a contar isso aqui, pois não perguntei ao principal protagonista, meu pai.  Mas até acho que chegou a hora de botar isso "pra fora". Tipo um desabafo. Então, lá vai.
O fato é que no ano em que eu nasci, minha avó paterna, que se chamava Amor, faleceu sem antes ter dado qualquer sinal de doença ou coisa que indicasse o final próximo de sua vida.  Meu pai, recém casado e após assumir a paternidade com meu nascimento, estava então com 27 anos e ficou completamente “maluco” com os acontecimentos.
As circunstancias da morte dela não seriam extraordinárias, não fosse pelo fato de terem ocorrido exatamente da mesma forma, por duas vezes.
Tudo começou em um sábado, uma semana antes do passamento de vó Amor. 
Meus pais e eu, com pouco mais de 2 meses de nascido, estávamos, como fazíamos quase todo final de semana, em visita à casa de meus avós maternos.  Eles moravam em São José do Rio Preto, no interior paulista.  Meus pais e meus avós paternos, em Nova Granada, aproximadamente 30 Km distante.  
Por isso, nestas visitas, depois de meu nascimento, quase sempre dormíamos na casa dos pais de minha mãe.
No entanto, naquela fatídica ocaisião, em meio a madrugada do domingo, meu pai acordou chorando e sobressaltado de um pesadelo horrível.  Sonhara com a morte de sua mãe.  
Minha mãe então o acalmou e o fez dormir novamente. 
Não tardou e ele voltou a despertar, desta vez com a conclusão de seu sonho ruim que havia continuado do mesmo ponto em que fora interrompido antes.  
Em prantos e muito abalado, confidenciou a minha mãe cada detalhe das cenas que vivenciara  enquanto estivera dormindo.  E arrematou que tudo lhe parecera muito real.
Mas, como algumas coisas eram diferentes da realidade deles, pelo menos naquele momento, minha mãe o tranquilizou novamente.  Convenceu-o que tudo apenas se tratava de um sonho e que não devia dar importância.  Afinal, quantas vezes sonhamos com perdas de pessoas queridas e logo as vemos com saúde perfeita com muitos anos pela frente.
Convencido de fato e em face de pequenos detalhes do sonho que o distanciavam da situação atual, meu pai procurou esquecer-se de tudo, embora tivesse, mais tarde, relatado o sonho à sogra.
Pelo que sei, a semana transcorreu normalmente até que no final de semana seguinte, eles voltassem para a casa dos pais de minha mãe.  Claro que meu pai, embora refeito e como morava perto, passou pela casa de sua mãe antes para conferir se ela estava bem e para as despedidas convencionais.  
Já a noitinha, em Rio Preto e após passearem, voltaram para a casa de meus avós maternos e foram dormir. 
Foi então que o pesadelo recomeçou e do início, mas agora, na realidade.
Foram despertados pela campainha que tocou de forma insistente.  Era meu tio, marido da irmã de meu pai, que estava à porta para apanhá-lo. Exatamente como no sonho ele estava com um carro diferente do que possuía. Meu pai não ficara sabendo, mas ele havia trocado de carro naquela semana. Isso punha por terra uma das pequenas divergências entre sonho e realidade e o fato não passou despercebido pelo meu pai.  Já angustiado, preparou-se.  Ele devia acompanhar meu tio, pois, minha avó que não estava bem, queria vê-lo.
Lembrando-se do sonho que tivera e da estranha semelhança, partiu deixando minha mãe igualmente preocupada com a situação.
Ao chegar na casa de minha avó, tudo estava igual ao que vira na semana passada, inclusive as pessoas que não estariam normalmente ali, na casa dela e que vieram para ver minha avó. E mesmo isso, ainda não resumia tudo. 
O médico da família estava viajando e um estranho estava cuidando de minha avó. Uma preocupante injeção havia sido aplicada sem qualquer indicação e cuidados, e os comentários de uma tia também reproduziram algo que ele já ouvira.  Tudo exatamente como na visão sonhada por meu pai há uma semana atrás.
Preocupado, meio insano, ele pôs-se a pensar. 
Restou-lhe então um estranho consolo. No pesadelo, minha avó morrera sozinha, no quarto, com meu pai.  Então parecia simples ou possível mudar as coisas.  Ele não deveria ficar sozinho com ela.  Jamais.  E então, nada aconteceria.  Um certo alívio infantil, lhe sobreveio. Mas as horas transcorriam sofridas neste déjà-vu tétrico até que meu pai passou pela porta do quarto onde estava minha avó, rodeada por mulheres, dentre estas, minhas tias.  Não parecia haver perigo.  E ele precisava saber como ela estava.
Tranquilo por conta da multidão, meu pai então entrou e buscou conversar um pouco, mas seria o mínimo possível para não estar ali com ela na tentativa de mudar o rumo das coisas.
Em meio a conversa, dona Amor lhe pediu para virá-la, colocando-a numa posição mais confortável.  Ele começou a atende-la quando percebeu que todos de uma hora para a outra, saíram do quarto.  Ao ver-se então sozinho, buscou se desvencilhar das mãos de minha avó que o seguravam para ganhar o corredor, mas não conseguiu e com um suspiro de alívio, minha avó deixou o corpo.
Desesperado, assustado, chocado e claro, extremamente inconsolável, meu pai perdeu a mãe em seus braços, naquele segundo de descuido, pois achava que pudesse, de algum modo, ter mudado os planos de Deus, ou embaraçar as teias do destino.
Cada cena, cada momento vivenciado duplamente, fora para ele um misto de “preparação” para a dor, ao mesmo tempo que fora dor em dose dupla.
Durante anos ele buscou ajuda e tentou compreender o que se passara.  Consultou padres (meu pai é ex-seminarista), médiuns, sensitivos e psicólogos, cada um com sua explicação nada fundamentada e algumas nem eram razoáveis.
Ao longo de minha infância e juventude, ouvi essa história ser narrada por meu pai em riqueza de detalhes e corroborada por minha mãe e minha avó materna.
Premonição não é uma coisa de outro mundo. Muito se fala sobre o tema. Mas quando acontece assim, pertinho da gente e de forma precisa, passamos a pensar em um monte de coisas que desafiam a ciência e tudo o que os Homens conhecem.
Eu gostaria muito de ajudar meu pai a entender e também eu queria compreender tudo, mas acabei deixando correr com o tempo.
Até que, recentemente, ao estudar a vida do físico Nicola Tesla, descobri que ele também passou pelo mesmo processo.  Sonhou a morte dos pais, dias antes dela ocorrer, relatando-o em detalhes a alguns  de seus próximos que constaram, depois, a veracidade de sua narrativa.  Isso fez, obviamente, com que muitos de seu tempo e círculo, desconfiassem de sua idoneidade ou equilíbrio mental.
Resolvi então escrever aqui, entre amigos.  Divulgar para alguns poucos.
Quem sabe haja, por aqui mesmo, mais alguém que tenha guardado um relato como esse.  Quem sabe até alguém que descobriu o que significa isso, como ocorre ou porque ocorre.
Tantos livros, sobre tanta coisa, filmes e reportagens, mas um drama familiar desses fica assim, sem explicação!  
Sabe, há mais coisas que me causam espanto na minha família.  Mas este, sem dúvidas é o nosso grande “segredo” o qual partilho, agora, mesmo sem consultar os envolvidos.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

EUA com os filhos

Lago congelado no Central Park
 New York
Um drama, sempre que vou viajar com a família é o medo de chegar de repente, em um lugar estranho, que fala outra língua, sem hotel, sem táxi que suporte as 5 pessoas além das bagagens e com receio de alguém ficar doente e precisar de socorro fora do país.
Por isso, desta vez, eu e Caroline tomamos algumas providências que recomendo.
Estátua das 3 mentiras
Harvard University
Íamos para os Estados Unidos curtir um pouco do frio de janeiro e aproveitar os resquícios do Natal nas luzes e enfeites que decoram a cidade de Nova York.
Contudo, uma nevasca bastante forte foi anunciada às vésperas de partirmos e logo em seguida, notícias sobre um suposto e fortíssimo surto de gripe a nos deixar sobressaltados.  Credo!
Desistir?  Uma hipótese.  Mas como dizer aos filhos tão elétricos com a proximidade da partida?  E como perder as passagens já adquiridas?  Uma vez tivemos que transferir a data de viagem para a Europa e perdemos muito dinheiro nesta brincadeira.
Melhor verificarmos mais de perto.
Estátua da Liberdade - New York
O primeiro passo foi contatar amigos que possuem parentes por lá.  Pronto.  "Exagero da imprensa", garantiu-nos uma indicada que, brasileira, mora e trabalha em NY como enfermeira.  "Gripe como em todo inverno, sem nenhuma surpresa ou susto." - asseverou ela.
Depois, para garantir ainda mais, fizemos uma visita ao médico dos meninos, não só para consultá-los e prevenir qualquer possibilidade, mas também para pegar uma receita antecipada para o caso de febre alta e ininterrupta, dores de ouvido e garganta etc.  Conseguimos então uma receita preventiva que incluía antitérmicos, vitamina C e até um antibiótico pré-receitado para eventuais infecções graves.  Compramos tudo pra levar daqui.  Um dos filhos, inclusive já bastante gripado e com febre há dois dias, iniciou o tratamento antes mesmo de pegarmos a estrada, que precedia o voo.
Agora então, quero recomendar uma atitude importante.  Um bom seguro viagem.  Trabalhamos com isso e temos em nossa empresa, várias marcas e coberturas à disposição.  Mas fomos logo numa proteção TOP.  Estar com filhos em outro país não é nada simples.  Melhor não arriscar com nada.  E a Omint nos foi providencial.  Pois, precisamos acioná-los por conta de bagagens extraviadas na ida e volta.
Preparamos poucas malas, roupas estritamente necessárias e quentes (específicas para uso na neve) e segundas peles, para garantir a proteção contra o frio de cerca de 14 graus negativos.
Rockefeller Center 
Minha mulher é especialista em passagens e hotéis.  As passagens de ida e volta, como eu disse, já estavam compradas, mas era preciso garantir o translado interno e quartos familiares, que embora existam, quase sempre são pra apenas 4 pessoas e não 5, que é nosso caso.
Com dois dias de antecedência, ela encontrou o hotel, confirmou que o quarto recebesse a nós 5 e observou, além de preço e fotos, os comentários de usuários para se prevenir de engôdos.  Isso é importantíssimo.  Anote aí.
Pronto.  No dia de sair, vesti minha meia especial, posto que já tive trombose e aumentei (com prescrição) a dose do anticoagulante diário que sou obrigado a tomar desde meu AVC em 2010.
Pronto.  Deixamos o carro em um estacionamento em Guarulhos, e fomos para o aeroporto.
Nas bagagens de mão, remédios para o dia.  Meu Xarelto e o antibiótico do meu filho para os horários que teria que tomar até a chegada em Boston.  O resto dos medicamentos com as respectivas receitas, nas malas a despachar.  Para o filho mais novo, enjoado para comer, a prescrição junto à companhia aérea para comida especial e mais simples.  Até cumpriram o pedido... Mas que comida! Jesus.
Zarpamos.
Museu de Cera - Nova York
A companhia judiou.  Apesar dos assentos confortáveis e espaçosos, se comparados a outros que já pegamos, a United Airlines não caprichou na comida.  A TV de meu acento estava quebrada e ao chegarmos no aeroporto de Chicago (onde tínhamos conexão para Boston), tivemos que pegar as bagagens e despachá-las novamente.
Moral da história, ao chegar em Boston, nossa parada final, minha mala, com todos os medicamentos e prevenções, roupas minhas e parte do meu filho mais novo, extraviada.
Fomos para o hotel com um Uber especial que nos levou os 5 e todas as bagagens.  O hotel era excelente, por sinal.  Mas minha mala, só na madrugada do dia seguinte.  Acionei a seguradora que garantiu-me acompanhamento até encontrá-la, com no máximo 24 horas ou indenização em dinheiro.
Touro de Wall Street
Em Chicago vimos neve caindo, já em Boston, a neve só estava nas sacadas e alguns telhados.  E passeamos bem tranquilos por esta bela cidade de estilo inglês.  Adoramos caminhar e fizemos tudo a pé.
Recomendo estes passeios a pé.  Estando em Boston, aproveitar a paisagem principalmente no entorno à Back Bay Station, Boston Common, o Boston Public Garden e por fim a Harvard University.  Para isso, atravessar, ainda a pé, a ponte sobre o Charles River que leva a Cambridge.  O campus da Universidade é emocionante.
Lá mesmo em Boston, minha mulher comprou as passagens do trem que nos levaria a Nova York.  Uma viagem de pouco mais de 3 horas que comprova o quão as vias férreas são importantes e como fazem falta no Brasil.
Saímos do Estado de Massachusetts, onde fica Boston, passando por Rhode Islands, Connecticut e por fim Nova York.  Rápida, tranquila e confortavelmente.
Monumento aos mortos de
11 de Setembro
Já na Big Apple, fomos a pé da Penn Station (Madison Square Garden) até nosso hotel na 36 street.  Hotel agradável e bem localizado, há duas quadras da Broadway.
Eu e minha mulher já conhecíamos a cidade.  Mas prometemos voltar com a criançada para conhecerem lugares imperdíveis como a Sede das Nações Unidas, o Central Park, a Ponte do Brooklyn, o Rockefeller Center, a Igreja de São Patrício e a Times Square.
Não faltaram passeios a pé pelas avenidas e ruas de Manhattan incluindo a Park Avenue do famoso Waldorf Astoria, no qual havíamos ficado em nossa primeira viagem pra lá.  Também não deixamos de fora lugares obrigatórios como o Museu de História Natural e nem de assistir a peça Fantasma da Opera na Broadway.  Decepção reservada para o Zoológico.  Surpresa para a amistosidade dos esquilos do Central Park.
Em nenhum momento dos passeios tivemos problemas com comida, preços altos ou surpresas ruins.  Segurança pelas ruas nas quais passeamos tranquilos durante o dia e noite, inclusive em Boston que era menos movimentada a noite. Se você tem crianças e quer levá-los, não há com o que se preocupar.  Não vimos nada que provasse o contrário, pelo menos na ilha.
Times Square
Voltamos para Boston pelo mesmo trem.  De lá, partiríamos de volta ao Brasil.  Mais paisagens com neve, rios congelados e lugares parecidos com aqueles que vemos nos filmes do dia a dia na NetFlix.
A viagem de volta, pela mesma United Airlines, foi ainda mais cruel, pois a comida, incluindo o café da manhã, sem condições mínimas.  E olha que não sou enjoado.  Mas o "crime da mala" foi realmente o desaparecimento de nossas 5 malas ao chegarmos em Guarulhos.  Nós não fomos, mas nossa bagagem foi toda para Washington, quem sabe, visitar o presidente.  Só apareceriam em minha casa no dia seguinte.  Nas duas vezes, recebi ligações e e-mails constantes da seguradora dando-me conta do paradeiro das mesmas.
Devo confessar que tanto lá, como aqui, a equipe de solo da companhia aérea foi gentil e prestativa.  Mas era o mínimo.
Bem, sei que quando temos preocupações, nos tranquiliza ler algo que nos oriente.  Por isso decidi fazer este pequeno grande relato sobre nossa curta, mas gostosa viagem de férias com os filhos.
Viajar ao exterior não é um bicho de sete cabeças.  Não é absurdamente caro.  Nem impossível quando se planeja, pesquisa e sobretudo os viajantes entram em acordo como andar muito, apertar os cintos e segurar o consumismo.  Melhor mesmo é gastar com comida, visitas a museus e shows e sobretudo aproveitar a convivência.





sábado, 10 de fevereiro de 2018

Carnaval na política.


Estamos em fevereiro. 
O que já imaginávamos lá atrás está em curso. 
Tudo farão para impedir que Lula seja candidato a presidente.  Condená-lo sem provas.  Prendê-lo.  Encontrar outros motivos para impedi-lo de concorrer.  Promover um atentado contra sua vida.  Mudar as regras eleitorais com agilidade ímpar.  Alterar o “regime”.  Aquilo que for preciso para barrar sua volta ao comando deste país.
Isso só reforça uma coisa.  Lula mete medo.  E sua influência é indiscutível.
Embora não devamos sustentar o “messianismo”, o fato é que sempre precisamos da figura de um líder com popularidade e apreço sem precedentes para conduzir o povo.  E principalmente neste momento. 
Metade da nação defende Lula declaradamente, mas e o resto?  A outra metade?
O cenário mostra que esta outra parte do povo brasileiro está bem dividida.  Há os desapontados com os governos de Lula e Dilma, têm os direitistas, os que sempre odiaram a figura do metalúrgico, e ainda os esquerdistas mais radicais, que não aceitaram e não engolem a política conciliadora e de concessões. Mas há um grupo grande de alienados, com pensamento implantado e incoerente, que simplesmente quer ver o “molusco” atrás das grades.
Talvez, pessoas com séria confusão, sem a capacidade de interpretação de classe.  Os chamados “pobres de direita”.  Mas talvez, simplesmente e mais grave, a massa de manobra.
Situação até aí natural, nada nesse cenário me causa, ou causaria espanto.
O que apenas me estranha é a mansidão, a condescendência e a paciência inexplicável do próprio militante do PT.  Os partidários de Lula.
Ainda “musculoso” do ponto de vista de sua grande militância e com ampla ação nacional, pois  ainda conserva mandatos, o Partido dos Trabalhadores soma forças que o compõem por dentro, ou que orbitam em torno de seu centro. Por isso não aceito esta sua “calma”, contrariada apenas por espasmos voluntários de alguns poucos de seus membros. 
O que na verdade estão esperando os petistas?
Hoje, membros da classe artística e intelectuais de toda sorte, junto com boa parte do povo simples e outros simpatizantes, estão falando mais alto do que o próprio partido do ex-presidente. 
É gente que dá a cara para bater, com muito mais a perder, empregando veemência e convicção na defesa de Lula.
O PT parece trabalhar na expectativa.  E tem sido assim ao longo de todo esse processo. 
Vamos aguardar a decisão de primeira instância.  Vamos aguardar o segundo julgamento.  Vamos aguardar a postura do Supremo.  Vamos aguardar que Lula indique um substituto pra gente votar nele.  Vamos aguardar o pleito e legitimar o golpe final. Enfim, vamos aguardar.
Isso incomoda muito a quem pensa como eu.  A quem acredita que nunca na história deste país foi dada tanta contribuição para a construção das condições objetivas para um verdadeiro levante da classe trabalhadora.
Sem liderança e sem formação, coisas que nos primeiros governos da era PT podiam ter sido resolvidas, as massas ficam à mercê de orientações que nunca chegam.
O máximo que vemos, neste sentido,  são ações em “lotes” como manifestações que já não metem medo a um congresso sem qualquer pudor e a um judiciário que cada dia se distancia mais e mais da justiça.  Sem falar na mídia que as ignoram ou desqualificam ainda mais.
A nossa briga na internet não é vã.  Como não é à toa a manutenção da discussão diária em casa, no trabalho, na igreja etc.  Só que isso não vai resolver de fato o nosso problema.  Não impedirá que se continue, de forma deslavada, o desmonte deste país.  O “entreguismo” praticado a olhos vistos por esta súcia que se prolifera nos meios políticos.  A dilaceração de direitos e conquistas.  O retrocesso social que estamos assistindo dia após dia.
Só uma convulsão será capaz de deter este “plano do mal”, arquitetado sabe-se lá por quem, com a finalidade de tornar o Brasil um país submisso.
Que não fique confusa a minha opinião.  Não prego que não se vote nas próximas eleições.  Não prego que se promova um quebra-quebra sem escrúpulos.  Mas por outro lado, questiono a passividade vergonhosa com a qual assistimos a compra de votos no Congresso (de forma declarada).  Com a qual permitimos que se leve a cabo a votação de uma reforma previdenciária excludente e assassina.  A maneira como aceitamos a entrega quase gratuita de nossas reservas naturais.  Sem falar na nomeação de ministros e outros nomes, comprovadamente criminosos, para ocupar cargos relevantes nos destinos da nação.
Deixamos que a mídia e parte do judiciário levassem a cabo um projeto corrosivo e inteligentíssimo, misturando  “justiça” com “revolta”, batizado de Lava Jato.  Hoje, comprova-se que sua finalidade maior era denegrir a imagem de empresas como a Petrobrás até torna-las baratas para compradores estrangeiros.  Aliás, sonho de criança de alguns inimigos que almejavam o controle de nosso petróleo desde a criação da Petrobrás na era Vargas.
A Lava Jato parou (sangrou) o país.  Afastou todos os inimigos do “privatismo”.   Tentou soterrar o partido do governo petista sem prender um só tucano.  Distraiu as atenções gerais.  Comoveu os brasileiros com os escândalos cinematográficos diários na televisão, enquanto helicópteros de cocaína, aviões sem dono, deputados promíscuos e malas de dinheiro ocupavam apenas espaços menores do noticiário.
Ainda hoje, negociatas e barganhas se veem sem punição.  Crimes gigantescos em proporção são coniventemente prescritos e a prática de uma “justiça” parcial não é segredo.
Quanta gente sem caráter.  Sem vergonha na cara.  Sem moral.  Pilantras de carteirinha que continuam a discursar por todas as esferas de poder e nos diferentes cargos públicos que ocupam.  Sempre pensei como podiam dormir, ou encaram seus filhos, mas na verdade essas figuras sombrias não têm espírito, nem alma.  Só a história, ou só Deus para lhes compensar a sujeira de suas miseráveis existências.
Mas e o povo?  Que assiste a tudo isso sem buscar entender direito o que está acontecendo, tendo por única preocupação a prisão de Lula pelo possível crime de “ganhar” um apartamento no Guarujá.  E quando tentamos elucidar algo, nos atacam, nos agridem, nos acusam de “petralhas”, protetores de “bandidos de estimação”, de “comunistas”, mesmo que não tenham a menor ideia do que queira dizer cada uma destas palavras.
Não dá pra desprezar este quinhão de pessoas.  Correspondem a uma fatia considerável do povo.
A eles, contudo, está faltando “norte”.  E eu penso que cumpriria ao maior partido de massas da América Latina desenvolver esta ação.  Formar, orientar e desnudar tudo, por mais difícil que esta missão pareça.  E não o fará se continuar preocupado apenas com as eleições.  Com a retomada do  “poder”.  Alguns inclusive com seus “cargos” atuais e por fim, com disputas internas, seu maior defeito.
O partido dos trabalhadores, tal qual o Brasil, caso Lula voltasse, devem ser entregues urgentemente a quem de fato pertencem:  Ao trabalhador.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Aulas, sono e costumes ruins.

Crianças e adolescentes começaram as aulas deste ano já na última semana e outros tantos darão início a esta importante jornada de suas vidas a partir de amanhã (segunda-feira dia 5).
Este fim de semana, no entanto, uma reportagem me chamou muito a atenção e cheguei mesmo a até ficar preocupado com o que li.
A preocupação se deve, sobretudo, ao fato de eu não ter dado tanta importância no assunto até hoje.
Meus filhos são muito insistentes na discussão do horário escolar, afirmando, pelo menos os dois mais velhos, que há algo de muito errado com a forma em que foram organizados.  Até o ano passado, eles frequentavam a escola no período da tarde, pois dão trabalho para acordar.  Mas este ano insistiram em passar para o período da manhã, pois afirmam que ao estudar após o almoço, não conseguem fazer mais nada durante o resto do dia.  E têm lá suas razões.  Dormem até tarde, almoçam, vão para a escola e pronto, já é noite.  Não dá pra estudar direito, trabalhar ou fazer qualquer outra atividade extra, salvo se acordarem bem cedo.  Então, se é assim, melhor ir para a escola.
Matriculados agora para o período da manhã, já sei que caberá a mim a torturante tarefa de botá-los em pé, tendo por "em pé", acordados, atentos e animados.
Só que a reportagem que li me dá cabo de que os adolescentes, em geral, só liberam em seu organismo os hormônios do sono lá pelas tantas da noite.  Bem diferente de adultos e crianças pequenas. Algo tipo 23 horas em diante.
O pior é que esta liberação química só irá cessar por volta das 8 da manhã, quando teoricamente já estão com um bocado de aula correndo.  Pensemos então em como conseguem se concentrar com este "sono incontrolável" sendo injetado em seu corpo.
E a reportagem assusta ainda mais.  Como adolescentes ficam em celulares, vídeo games ou computadores até altas horas, terão este hormônio atrasado, pois como estes aparelhos liberam a chamada "luz azul", que é bem próxima da ultravioleta (emitida pelo sol), o sono irá demorar mais a surgir e também a desaparecer.  Ou seja, o ideal, afirmam seus autores é que quem estuda pela manhã deve se livrar dos equipamentos eletrônicos pelo menos com duas horas de antecedência a se deitarem.  Tarefa tão difícil, quanto despertá-los cedinho.
Fiquei então pensando se não seria ideal, portanto, que as aulas começassem em torno de 9 horas. Nos Estados Unidos, alguns Estados já alteraram, há algum tempo, seu horário escolar para início às 9h30 e com êxito comprovado.
Se adotássemos este exemplo, nossas crianças e adolescentes poderiam cursar a escola até lá pelas 14 ou 15 horas, claro, almoçando no próprio edifício escolar em torno de meio dia.  O que acho difícil, pois o duro seria controlar as superlotadas escolas públicas que precisam dividir seu contingente em três períodos ou ainda balancear as refeições (merenda) que, quando não precárias, têm suas verbas desviadas por algum vagabundo.
O fato é que o sistema de ensino brasileiro, talvez por estes motivos que afirmei, prevê estes horários ora praticados quase que em formato padrão.  Então, o aprendizado por aqui fica sim comprometido, dentre outros, por este motivo também.
E o prejuízo de aprendizado ocorre não só pelos fatores já mencionados.  Durante o sono pesado, eliminamos "inutilidades" preservando itens importantes de aprendizado ou experiências captadas durante o dia.  Quando dormimos, fixamos o que aprendemos e filtramos as informações.  Se nosso sono é interrompido neste momento, perdemos esta valiosa ação de nossas mentes.
O sono é ainda importante para outros fatores.  O crescimento é um.  A estatura física também é controlada por hormônios liberados enquanto dormimos.  Nosso humor também é afetado, pois seu equilíbrio dependerá de elementos fornecidos pelo cérebro durante o sono.  Muitos adolescentes seguem negativos, pessimistas, sem memória e sem vontade para nada, pois estão viciados em dormir mal. Não se alimentam direito, comendo muito ou extremamente pouco, não conservando um bom físico justamente por este desregramento ao dormir.
Importantíssimo!  A quantidade de sono não é só o que deve ser observado.  O horário é assunto sério.  O período noturno é naturalmente o horário em que nosso corpo está programado para a liberação destes hormônios.  Dormir uma noite inteira é tudo de bom.
Imagine como não vou pegar nos pés da galera aqui de casa a partir de agora.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Unidades Premium - San Martin Corretora de Seguros

Inaugurando uma nova fase em sua atuação no Mercado de Seguros e Franquias, a San Martin Corretora de Seguros começa 2018 com uma festa particular.
A inauguração da modalidade Premium.
Um grupo de franqueados, convidado dentro de alguns critérios, passa a fazer parte de uma camada seleta de parceiros que gozará de privilégios e responsabilidades maiores visando obter mais lucratividade, crescimento e sobretudo, mais autonomia.
Os franqueados Premium receberão um treinamento especial e poderão fazer uso de algumas insígnias que os colocarão em destaque no site, nos eventos e mesmo no dia a dia da rede, situação em que o suporte oferecido pela administração da marca lhes garantirá atendimento especial e destacado.
A inovação foi estudada durante um longo tempo e para evitar erros, realiza agora um experimento de 90 dias iniciais antes de receber a segunda turma, que deverá se adequar a alguns padrões estabelecidos para este fim antes da nomeação.
A ideia é que muito em breve, pelo menos metade da rede alcance esta categoria, momento que marcará então o sucesso definitivo da marca.

Perdendo o Rumo

A expressão "perder o rumo" nunca esteve tão evidente. E quem perdeu o rumo foi a direita. Eles não imaginavam nunca que com a...